As redes sociais estão matando os blogs?

Arquivado em Notícias , Tecnologias , Tecnologias EAD 15 Comentários

Recentemente, um artigo do New York Times afirmou que os blogs estão perdendo espaço para as redes sociais. É uma meia verdade. Apesar do título pessimista, e até alarmista, a matéria do NYT trata muito mais da mensuração de dados de uma pesquisa do que de um o anúncio formal da morte dos blogs.

De 2006 a 2009, a atividade de blogar caiu pela metade entre os adolescentes de 12 a 17 anos; atualmente, apenas 14% destes adolescentes têm um blog. Entre os jovens de 18 a 33 anos, 2% deixaram de manter um blog em relação aos anos anteriores. Entretanto, apesar do que nos dizem os resultados da pesquisa da Pew Report, houve um aumento de 25% de adultos blogando em relação ao período estudado.

Esta previsão – a morte dos blogs – ronda a web desde o surgimento do Facebook e do Twitter. Da mesma forma que pensaram que a televisão “mataria” o cinema e a internet aniquilaria todas as outras mídias, não acredito nesta verdade apocalíptica.

Vejamos alguns dados que embasam minha opinião:

  • São nos blogs que as melhores discussões acontecem;
  • Os blogueiros usam outras ferramentas de redes sociais para atrair mais leitores para seus blogs;
  • Os blogs são as únicas mídias que ajudam os usuários a serem encontrados, juntamente com seus textos, vários dias depois de publicados;
  • A utilização de blogs está crescendo entre adultos maiores de 34 anos – os internautas de 34 a 45 anos fizeram com que os blogs tivessem um crescimento de 6% em relação a 2008 e 2009. Entre os de 46 a 55 anos, o crescimento foi de 5%, enquanto que entre os “coroas” de mais de 65 anos houve um crescimento de 2%.

Por falar em números, li na coluna da Andréa Dunningham – Mercado Digital – que a ComScore, empresa de pesquisas do universo da web, divulgou um estudo no início de fevereiro revelando crescimento de internautas no Brasil justamente entre os mais velhos (entre 45 e 54 anos). E que a audiência dos blogs, em particular, é 21 pontos maior do que o restante do mundo (71% contra 50% da média dos outros países).

Segundo Elisa Camahort Page, co-fundadora do site BlogHer, “Se você está buscando uma conversa com conteúdo, você procura um blog. Ninguém achará o mesmo no Facebook ou nos 140 caracteres do Twitter “.

Aparentemente, Toni Schneider, da empresa Automattic, concorda com a afirmação de que osblogueiros utilizam as ferramentas das mídias sociais para promoverem seus próprios blogs. Ele disse que esses “escritores” virtuais usam com frequência tanto o Facebook quanto o Twitter para badalarem seus sites e aumentarem sua audiência. Não se trata de competição entre mídias, como se pode pensar, mas de um complemento. “Há muita fragmentação”, afirma Schneider, “mas, neste ponto, qualquer um que leve seu blog a sério está usando vários tipos de mídia para aumentar seu tráfego”.

Em seu artigo no NYT, o articulista Verne Kopytoff cita que os blogs são ótimas ferramentas de marketing. Se você procurar alguma validação sobre este tópico, poderá perceber que o blog proporciona uma exposição que, nem o Facebook, nem o Twitter, oferecem. Eis os motivos:

  • blogs ajudam as pessoas (clientes, fãs, consumidores) que não o conhecem um produto a descobri-lo.
  • blogs reforçam sua marca para os indivíduos que talvez já tenham ouvido falar de você, mas ainda não tenham feito contato.
  • blogs auxiliam a manter sua audiência atualizada para compartilhar informações com outros leitores que, potencialmente, tenham interesse em você ou em sua marca.

Poderíamos até dizer que os blogs estão em declínio entre os jovens – e somente entre os jovens – pois sua queda mais significante se deu entre adolescentes. O que interessa para essa garotada é manter-se em contato com os amigos e familiares – coisa que o Facebook faz com extrema competência.

Devo dizer que, com mais de 34 anos, nada me faz sentir tão obsoleta do que perceber que os hábitos e comportamentos de várias gerações – Geração X, jovens Boomers e Boomers mais velhos – não contam, em relação ao que fazem os teens.

Matt Mullenweg, fundador e desenvolvedor do WordPress, fez várias considerações sobre a reportagem do New York Times: “O título provavelmente foi escrito por um editor, e não pelo autor, porque apesar de o artigo enfatizar os dois adolescentes que preferem o Facebook aos blogs, as estatísticas mostram o crescimento de todos os principais serviços de blog – mesmo o Blogger, cujos número de visitantes globais únicos cresceu 9% ( 323 milhões de pessoas), “o que significa que cresceu cerca de seis Foursquares só no ano passado (no mesmo período, WordPress.com cresceu cerca de 80 milhões de visitantes únicos de acordo com o QuantCast).” Na realidade, o WordPress teve mais de seis milhões de blogs criados somente em 2010 e suas pageviews cresceram em 53%.

Uma boa metáfora afirma que blogs são o jantar, enquanto o Facebook e Twitter são a sobremesa. Todo mundo adora sobremesa, porque é doce e sexy. Isto é particularmente verdade quando se trata de crianças, que irão apressar o jantar ou não comê-lo em absoluto, porque estão muitos animados com a guloseima. De certa forma, seu comportamento sobre a sobremesa explica o seu (não) interesse em blogs. Eles preferem o Twitter ou o Facebook.

Blogs e sites de mídias sociais como o Facebook e o Twitter se complementam. Fim da história. Sem blogs, as pessoas teriam menos conteúdo interessante para compartilhar no Facebook e no Twitter. Sem o Facebook e o Twitter, os blogueiros teriam mais dificuldade em conseguir os leitores.   Por Cláudia Valls no IDG Now

Por: Instituto EADVIRTUAL   @   28-03-2011     |     3.797 visitas     15 Comentários
Tags : ,

15 Comentários

Comentários
29-03-2011
12:22

Já algum tempo os blogs vem acabando com sites institucionais. Muitas empresas tem seu site integradoo á um blog, pois é o canal que mais aproxima a marca ao consumidor. Redes sociais são meio de interação e expansão de usuários.Buscar mais consumidores em redes sociais é estartégia de marketing.

21-07-2011
20:22
#2 Amarildo Identicon Icon Amarildo :

Como diz aquele velho ditado, “Todos os caminhos levam a Roma”, porém depende da escolha e do momento de cada indivíduo. Tudo se resume em rapidez e relatos breves, quem quer conteúdo busca os blogs.

02-08-2011
19:41
#3 Willian Caetano da Silva Identicon Icon Willian Caetano da Silva :

Eu discordo, pois nos blogs o interesse é canalizar as idéias e dúvidas ligados a determinados assuntos como é o caso da EaD. já nesses outros meios de comunicação a intenção maior é, na maioria das vezes, assuntos sem fundamento específico.

03-08-2011
21:00
#4 Amélia Costa Identicon Icon Amélia Costa :

Concordo com a matéria quanto afirma que:¨Não se trata de competição entre mídias, como se pode pensar, mas de um complemento. E como disse Schneider:“mas, neste ponto, qualquer um que leve seu blog a sério está usando vários tipos de mídia para aumentar seu tráfego”. E tudo que pode fazer para ser visto e se fazer notar é válido principalmente no que diz respeito aos blogs sobre educação no Brasil.

06-08-2011
19:56
#5 Edna Rodrigues Identicon Icon Edna Rodrigues :

Penso que depende do público que está interagindo. Parece que os mais jovens preferem mídias mais rápidas e breves (comportamento típico destas gerações), enquanto que as pessoas mais maduras preferem mídias que possibilitem discutir um tema com argumentos mais longos e, portanto, mais detalhado, talvez por ser capaz de incluir suas experiências próprias nestes argumentos.

08-08-2011
17:25
#6 Amélia Costa Identicon Icon Amélia Costa :

Concordo com o comentário da colega Edna Rodrigues, afinal não só temos diferenças de idades nesta questão como diferentes objetivos a serem alcançados e almejados por estes públicos.

17-08-2011
17:49
#7 Imara Hebling Camargo Identicon Icon Imara Hebling Camargo :

No Brasil, por enquanto, tudo vai indo bem. Precisávamos de uma pesquinsa nacional para saber nossos dados.

22-08-2011
21:30
#8 Mari Identicon Icon Mari :

Concordo com texto, no item “- São nos blogs que as melhores discussões acontecem”, pois, nas redes sociais a comunicação é feita de uma maneira muito rápida e até mesmo superficial, sem aprofundamento de um determinado assunto como acontece nos blogs.

30-08-2011
9:15
#9 Janaine Cristiane de Souza Arantes Identicon Icon Janaine Cristiane de Souza Arantes :

Eu discordo do título da matéria, pois eu acredito que as ferramentas de redes sociais e os blogs se complementam. Para discussões mais breves, a utilização da redes sociais é uma boa opção, já para assuntos com argumentos mais detalhados, os blogs são mais recomendados.

31-08-2011
3:59
#10 Vera Ponciano Identicon Icon Vera Ponciano :

A pesquisa revela dados comprensíveis numa sociedade dinamica como a nossa. A cada novidade que surge, inclusive as tecnologias e redes sociais, há um deslumbramento pelo novo e a procura imediata por conhecer as novidades, que penso foi o caso do twiitter e facebook para os adolescentes. A curiosidade ávida e a procura de novidades e da necessidade de estar o mais atualizado possível, tecnologicamente e em termos de ferramenats de rede social, faz com que oa adolescentes decresçam o uso dos blogs em favor de outras possibilidades. Contudo, os blogs não desaparecem por isso, há mudança de público, não esgotamento e morte.

01-09-2011
15:12
#11 AFmaia Identicon Icon AFmaia :

Certamente todas ferramentas possuem caracteristicas específicas de comunicação, preferidas pelos diferentes tipos e características de usuários. Acredito que as redes sociais tenham uma característica de comunicação, mais breves, imediatas e de certa forma mais superficiais, que cativam normalmente as personalidades mais jovens.
Os blogs exigem um diferencial de conteúdo analítico, característica de personalidades mais críticas e reflexivas em suas exposições. Todas ferramentas embora por caminhos diferente, e bem utilizadas certamente servirão para interagir com pessoas e desenvolver novos conhecimentos.

08-09-2011
23:52

Acredito que os blogs não deixaram de existir. è um canal de comunicação diferente. Até por que ainda existem jornais impressos, rádio e TV mesmo depois da internet. As redes sociais são canais para interação maior, mas não para colocar grandes ideias ou pensamentos. Cada qual tem sua função e seu público. Aliás os canais reforçam a informação.

13-09-2011
0:09
#13 LUIZ.KOPKE Identicon Icon LUIZ.KOPKE :

“As redes sociais estão matando os blogs?”
Concordo com a autora do texto, que os diferentes tipos de mídias se complementam. Tanto os mais jovens, nascidos digitais, como os mais adultos, incluídos digitais, estão cada vez mais usando todas as formas de comunicação interativa.
Também concordo com os demais colegas que quem procura conteúdo mais denso, recorre aos blogs. Quem quer interação descontraída vai ao encontro dos meios das redes sociais. O mais importante é ver cada dia mais u usos dessas TICs para o bem da Educação quer a distância ou presencial.

16-09-2011
19:11

Também concordo com a autora e a colocação do Luiz e os demais colegas, mas acredito que está ocorrendo uma segmentação de perfil de usuários e preferências, como o texto diz que houve um aumento de 25% de adultos.

Abraço,

Mônica

28-09-2011
16:40

CONECTIVISMO

Siemens (2005) discute as limitações do behaviorismo, cognitivismo e construtivismo como teorias de aprendizagem, porque eles não abordam a aprendizagem que ocorre fora das pessoas (ou seja, a aprendizagem que é armazenada e manipulada pela tecnologia) e dentro das organizações.

O conectivismo ou aprendizado distribuído é proposto como uma teoria mais adequada para a era digital, quando a ação é necessária sem aprendizado pessoal, utilizando informações fora do nosso conhecimento primário. As teorias da aprendizagem deveriam ser ajustadas ao momento em que o conhecimento não é mais adquirido de maneira linear; a tecnologia realiza muitas das operações cognitivas antes desempenhadas pelos aprendizes (armazenamento e recuperação da informação) e, em muitos momentos, o desempenho é necessário na ausência de uma compreensão completa.

Aprender não é mais um processo que está inteiramente sob controle do indivíduo, uma atividade interna, individualista: está também fora de nós, dentro de outras pessoas, em uma organização ou em um banco de dados, e essas conexões externas, que potencializam o que podemos aprender, são mais importantes que nosso estado atual de conhecimento.

A cognição e a aprendizagem são distribuídas não apenas entre pessoas, mas também entre artefatos, já que podemos descarregar trabalho cognitivo em dispositivos que são mais eficientes que os próprios seres humanos na realização de tarefas.

SIEMENS, G. Connectivism: A learning theory for the digital age. International Journal
of Instructional Technology and Distance Learning, v. 2, n. 1, January 2005. Disponível
em: .

Deixe um Comentário

Post Anterior
«
Novo Post
»