Desativação de Pólos de EAD – Opinião da ABED
Pronunciamento da ABED às Ações do SEED-MEC, novembro de 2008
Tendo sido solicitada para manifestar sua opinião sobre as recentes decisões da Secretaria de Educação a Distância do Ministério da Educação quanto ao desempenho de algumas instituições de ensino superior, como Presidente da ABED-Associação Brasileira de Educação a Distância, sociedade científica sem fins lucrativos, aproveito esta oportunidade para fazer as seguintes observações:
1. É louvável a insistência do Ministério da Educação (MEC) em estabelecer critérios para a garantia de qualidade por parte das instituições credenciadas para oferecer cursos através da modalidade educação a distância (EAD). Essa função atribuída ao MEC pela Constituição do país deve ser um esforço de múltiplas etapas. A ABED espera continuar apoiando o MEC, sobretudo promovendo pesquisas e conclaves, nos quais os critérios de qualidade em EAD são debatidos por educadores e outros profissionais experientes. Quando entidades da sociedade civil e órgãos do Estado juntam suas energias em prol de uma meta comum, os resultados certamente são mais positivos. Nesse sentido, a ABED teve a honra de ser parceira da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados na realização de um seminário internacional, em 16 de junho, sobre as “conquistas” da EAD nos últimos anos.
2. A EAD representa a mais apropriada solução para aumentar o acesso a estudos pós-secundários destinado a camadas da nossa população que não tiveram essa oportunidade no passado, ou por morarem longe dos centros urbanos (70% dos municípios brasileiros não dispõem de qualquer instituição de ensino superior), ou por não terem condições econômicas para se dedicar aos estudos. A flexibilidade oferecida pela EAD é ideal para pessoas que têm de trabalhar para seu próprio sustento, que têm a motivação para progredir profissionalmente e a auto-disciplina necessária para completar tarefas acadêmicas, mesmo quando não há um docente a seu lado auxiliando-as. É difícil imaginar uma preparação melhor para demandas profissionais cada vez mais exigentes.
3. Seja na convencional opção presencial, seja na modalidade a distância, os critérios de qualidade no ensino superior devem ser iguais, levando o aluno aos mesmos propósitos: usar a informação com inteligência, aplicar o conhecimento adquirido na disciplina escolhida e em outras áreas, desenvolver espírito crítico e realizar pesquisa, além de comunicar-se com clareza.
4. As restrições do MEC a certas instituições por terem demonstrado deficiências, não implica penalização, mas preocupação com o aperfeiçoamento continuado e sustentável—tal como as práticas esportivas que impõem obstáculos cada vez mais desafiadores. Por isso, achamos salutar que as instituições sempre tenham a oportunidade de corrigir suas atividades sujeitas a críticas justas.
5. Consideramos oportuno que a mídia veicule comentários não somente a respeito das instituições que receberam uma “chamada de atenção” (por deficiências no seu desempenho acadêmico), mas também sobre a grande maioria que oferece cursos a distância operando com sucesso e com qualidade equivalente à dos mais destacados centros de ensino superior no exterior. A ABED, desde sua fundação, em 1995, vem defendendo a idéia de que é contraproducente assumir que qualidade (no binômio ensino/aprendizagem) seja monopólio de instituições públicas—há exemplos de excelência e de mediocridade em ambos os universos, no convencional ou a distância.
6. A intervenção do MEC nas instituições não está baseada nos resultados de
avaliação da aprendizagem determinados pela Lei do SINAES (Sistema
Nacional de Avaliação do Ensino Superior), segundo a qual o maior peso da nota de avaliação da qualidade da aprendizagem na graduação está nos resultados do ENADE. Esses resultados do ENADE são amplamente favoráveis à modalidade da EAD como parâmetro legal para o indicativo de qualidade.
7. Acreditamos que o MEC esteja equivocado ao estabelecer que há apenas um único modelo de qualidade na EAD, e que é este o modelo adotado pela Universidade Aberta do Brasil (UAB), importante projeto do próprio Ministério. O MEC diz que é apenas no formato da educação “semipresencial” (a mistura do presencial com a EAD), com atendimento regular de alunos em “pólos presenciais, é que existe “qualidade”. Essa visão diminui as possibilidades de experimentação, de inovação e de abordagens pluralistas, fatores altamente positivos, defendidos na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (No. 9394/1996) . Da mesma forma, representam uma atitude conservadora e fechada. Por exemplo, o MEC exige biblioteca presencial e específica para cada curso oferecida no pólo, e não aceita bibliotecas digitais online, ou a possibilidade de a biblioteca central da universidade enviar livros solicitados pelos alunos.
8. As premissas de “estrutura física e de tutor presencial” adotadas pelo MEC representam, na prática, um entrave para a EAD no país. O que o MEC está propondo é um retorno à década de 1970 no Brasil, quando as grandes universidades públicas, que buscavam atender a uma ou outra região distante, criavam ali um “campus avançado”, que funcionava de forma semelhante ãquilo que o MEC está propondo para a UAB. Naquele “campus avançado” era criado um ou outro curso, com uma pequena infra-estrutura de apoio e com o deslocamento temporário de professores da universidade para atender aquela localidade. Ou seja, a exigência do MEC de que todas as instituições devem seguir o modelo único dos pólos presenciais da UAB oprime a educação a distância e cria a “educação distante”. O MEC tem o direito e a liberdade de proceder assim no seu próprio programa, mas não pode obrigar toda a sociedade a fazer o mesmo.
9. A ABED sempre defendeu uma EAD de qualidade, e sempre estimulou a pesquisa científica e a troca de saberes para a inovação tecnológica e o desenvolvimento de estratégias educacionais na modalidade. Mas, a atual política do MEC é restritiva ao uso das novas tecnologias, em especial às tecnologias digitais que estão revolucionando a educação em todo o mundo. Pesquisa do INEP mostrou que 82,9% dos alunos da EAD estão conectados à Internet, e que o Brasil é o país com a maior taxa de crescimento da rede www no mundo. O MEC parece não reconhecer a validade dos fenômenos contemporâneos de aprendizado em rede, do “empowered student” (o aluno ‘fortalecido’ pelo apoio da tecnologia), de inteligência coletiva, de professores e de alunos interagindo on-line e off-line sem prejuízo para o resultado da aprendizagem, do uso de sistemas avançados de simulação e virtualidade, além de outros exemplos de sucesso em todo o mundo. É significativa que a edição de 2008 (reportando a situação de 2007) do Anuário Estatístico Brasileiro da Educação a Distância demonstrou que, pela primeira vez, a forma de estudo mais utilizada na EAD no Brasil foi através da Internet, e não mais através de material impresso.
10. Nós não queremos acreditar que o Brasil esteja entrando numa fase de conservadorismo político e administrativo na educação superior a distância, com a imposição de um modelo único e da ameaça de descredenciamento das instituições que tentarem fazer seu trabalho de outro modo. Temos certeza de que os responsáveis pela área de EAD no Ministério compartilham com os associados da ABED no que se refere a uma visão universal de desenvolvimento científico e tecnológico e de propostas educacionais, cujo conteúdo é a experimentação e a avaliação de resultados efetivos–o caminho para a modernização, para a conquista de novos patamares de conhecimento e a descoberta de novas ferramentas para o aprimoramento cognitivo. A ABED quer se unir ao MEC para desenvolver na EAD nacional um ambiente de práticas de qualidade que contribuam para o desenvolvimento geral do país. Com o reconhecimento de múltiplos modelos de atuação, além da aplicação de um alto nível de exigência acadêmica dos alunos, docentes e instituições envolvidos no processo, com certeza venceremos esta etapa de “dores de crescimento”.
Prof. Dr. Fredric M. Litto
Presidente, ABED
São Paulo, 27 de novembro de 2008
Dia Nacional de Educação a Distância
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27 de novembro de 2008 at 19:17
Quero parabenizar e agradecer ao Prof. Doutor Fredric M. Litto pelo posicionamento ponderado e coerente.
Qualidade na educação, com certeza. Porém, talvez tenhamos que quebrar alguns paradigmas: por que temos que pensar em termos de “ou” (ou isto ou aquilo) e nos privarmos de ganhar qualidade se pensarmos em termos de “e” (ou seja, somar).
27 de novembro de 2008 at 20:39
Como o MEC pode desativar os Póls se nem sequer vistoria fez, em base de que eles desativou? fofocas?
29 de novembro de 2008 at 15:14
Oportuna sua colocação, pois a mídia somente conseguiu, com a divulgação apressada deste “puxão de orelhas” do MEC, criar um grande desgaste na imagem do Ensino à Distância, pelo menos aqui no Rio de Janeiro.
Estudo em um CA – ligado a um pólo da EADCON, tenho um ótimo aproveitamento com a presença em 1 dia da semana, pois do contrário seria inviável no momento fazer uma Graduação Presencial.
Muitos alunos estão simplesmente “trancando” a matrícula, pois os boatos são de que todos os Pólos serão fechados, e o EAD será proibido, por falta de estrutura de funcionamento.
Estou nesta data me inscrevendo em um Curso de Tutoria em EAD, pois tenho algumas oportunidades de negócio nesta área. E entendo que este sistema é o futuro da educação neste país, virtual ou semi-presencial.
Mas se o MEC e a mídia fizerem uma campanha precipitada “sujando” a imagem do método, dificilmente a sociedade terá confiança na formação nos egressos do sistema.
30 de novembro de 2008 at 10:29
Olá Werciley,
Primeiramente quero parabenizá-lo pelo blog e dizer o quanto este é importante para a EAD no Brasil. Suas contribuições são valiosas para esta nova configuração da Educação no país.
Bom… quanto a estas ações vejo como necessárias apesar das sangrias que podem causar.
Forte abraço.
Cesar Melo.
Rio de Janeiro.
4 de dezembro de 2008 at 12:29
É verdade mesmo que vai acontere isso? ou é apenas mais um boato? pois eu faço FISICA em EAD. Estou adorando esse curso, EAD é uma oportunidade muito boa para as pessoas que não tem tempo de ficar em sala de aula diariamente.
Espero que isso fique apenas em suposições.
14 de janeiro de 2009 at 22:12
Gostariamos de ratificar a proposta do Prof. Dr. Frederic, entretanto os conceitos de EAD, no Brasil são novos e essa tecnológia, necessita ser HUMANIZADA, e chegar aonde deveria realmente o PODER PÚBLICO, intervir EDUCAÇÃO BÁSICA DE QUALIDADE PARA TODOS.
Entretanto, o EAD – SUPERIOR, pode salvar a grande massa que esta fora dos berços acadêmicos.
Vamos valorizar os POLOS e ALUNOS, que tem responsabilidade com a EDUCAÇÃO, conhecemos verdadeiros Mestres na Arte de Viver, João – José – Maria – Pedro – Fidelcino e Anastacia, que possuem disciplina e muita ética para consigo mesmo, só precisam de uma oportunidade de apreender e empreender seus própios sonhos.
Sejam, acadêmicos, sociais, culturais e econômicos.
Vamos ajudar o POVO BRASILEIRO, apreender a responsabilidade e a disciplina do auto estudo, avaliando principalmente todos os alunos eu disse todos do EAD, através uma PROVA DO MEC / INEP, quem sabe traria mais responsabilidade e aproveitamento do EAD, e não puniria diretamente os POLOS, que geram emprego, renda e muito trabalho.
Salve a nova descoberta da Educação Brasileira .
14 de janeiro de 2009 at 22:15
Achamos que o POVO DEVERIA SER OUVIDO em várias audiencias públicas de EAD – Educação a Distancia.
25 de janeiro de 2009 at 18:52
O debate continua em 2.009
14 de fevereiro de 2009 at 13:33
Prezados Senhores,
Os depoimentos sérios, deveriam ser ouvidos
temos relatos de pessoas que fazem o EAD
curso de pedagogia EM SÃO PAULO/SP , e mudaram
de vida, estagio na prefeitura , aulas em
escolas particulares, mudança de cargo na
empresa efim são TESTEMUNHOS, que a
midia, deveria ponunciar em horario
nobre de televisão, não simplesmente, noticias
ruins.
A educação a distancia é a única solução
para quem já passou da meia idade
e tem familia além de várias atribuições
que não lhe permite frequentar todos os
dias uma sala de aula.
Vamos fazer elaborar um PROVA DO MEC,
para avaliar todos os alunos do EAD, e
após esta prova CERTIFICAR a qualidade
do CURSO e principalmente do ALUNO.
Já ocorre a promoção automática em todos
os estados brasileiros e porque ficar
achincalhando o EAD.
Que bom seria se o ensino basico público
fosse de qualidade (PRINCIPALMENTE A MERENDA)
dos pequeninos menos favorecidos.
o Debate continua…
José Roberto de Lima Candido
gestor educacinal 3o. setor