Países lusófonos querem usar EAD

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Com o objetivo de aproximar os países lusófonos, o 14º CIAED (Congresso Internacional ABED de Educação a Distância) realizou nessa segunda-feira, 15 de setembro, um encontro entre instituições de ensino do Brasil, Portugal e Moçambique. Na ocasião, os três países se mostraram abertos à realização de parcerias de cooperação internacional na área de EAD (Educação a Distância) como alternativa para o desenvolvimento educacional de suas nações.

“Na União Européia, os estudantes podem completar seus estudos em universidades de diferentes nacionalidades. Por que é que o mesmo não pode acontecer com os países de língua portuguesa?”questiona o pró-reitor para Inovação em Ensino à Distância da Universidade Aberta de Portugal, António Moreira Teixeira. Na opinião dele, basta maior aproximação entre os integrantes dessa comunidade e globalização de seus sistemas de ensino. “Há mais características que nos unem do que nos afastam. Por que não compartilhamos um com os outros?”, acrescenta ele.

De acordo com o professor da UNEB (Universidade Estadual da Bahia) e diretor do Instituto Anísio Teixeira, Alfredo Matta, o que falta para essa aproximação é ausência de tradição e a necessidade de processo de aproximação e diálogo. “Os distintos interesses de mercado e de educação afastaram essa comunidade”, arrisca ele. “Apesar de a separação ser mais fácil do que união, essa interação amplia o espaço de ação das instituições lusófonas, além de enriquecer ensino e melhorar a relação do Brasil com o mundo globalizado”, afirma Teixeira.

Uma das alternativas para estreitar a relação entre os países de língua portuguesa, segundo o pró-reitor de assuntos acadêmicos da Universidade Aberta de Portugal, Domingos Caeiro, é adotar processo semelhante ao Tratado de Bolonha, que é a unificação do sistema de Ensino Superior Europeu. “Com harmonização nos planos pedagógicos, é possível promover maior mobilidade de alunos e professores. Além disso, haverá maior oferta nas vagas e, ainda, possibilidade mais ampla de inserção no mercado de trabalho. Já que o diploma poderá ser reconhecido em todos os países parceiros”, declara ele.

Já para o representante do Ministério da Educação de Moçambique, Messias Matusse, as parcerias com os países de língua portuguesa serão fundamentais para o país combater os altos índices de analfabetismo. “Atualmente, 90% de nossa população é analfabeta. Portanto, precisamos caminhar rapidamente para reduzir os problemas que o país enfrenta”, diz ele. O ensino a distância, de acordo com Matusse, foi implantado no sistema educacional de Moçambique para acelerar o processo de expansão e garantir o acesso às zonas mais remotas do país. “Mas ainda se trata de programa embrionário. Por isso estamos em busca de parcerias que possam consolidar o que já fazemos e colaborar com o avanço da nossa educação”, explica.

Entre as iniciativas consolidadas, Matusse destaca a parceria com a Abed (Associação Brasileira de Educação a Distância) que irá receber no Brasil alguns moçambicanos para a realização de treinamento para a produção de materiais didáticos. “Esse é um ganho para o país, porque contribuirá para incrementar a nossa educação a distância e, conseqüentemente, nossos cursos secundários”, acredita ele.

Segundo o reitor da ACIPOL (Academia de Ciências Policiais), de Moçambique, Machatine Paulo Munguambe, a situação mostra que há vontade política dos governos lusófonos em estabelecer parcerias no âmbito educacional. “Os discursos políticos começam a se transformar em atividades concretas. Pode-se perceber o aumento dos acordos de cooperação entre universidades de língua portuguesa. Além disso, percebe-se a movimentação de algumas ações governamentais, como é o caso dos programas de bolsas do Brasil a estrangeiros de países africanos”, aponta. “Acreditamos que há tempo de mudar essas relações”.

Por: Instituto EADVIRTUAL   @   17-09-2008     |     5.547 visitas     2 Comentários
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2 Comentários

Comentários
01-09-2011
16:31
#1 PELOGGIA, Adilson Identicon Icon PELOGGIA, Adilson :

Parabéns aos países de língua portuguesa pela sustentabilidade educacional e acadêmica.

Prof Dr PELOGGIA, A.

10-09-2011
17:17
#2 Deborah Costa Identicon Icon Deborah Costa :

Promover uma maior interação, aproximação e mobilidade entre alunos e professores através de cursos EAD será fundamental não apenas para a expansão do EAD como para buscar novas posiçòes no mercado de trabalho.

Prof. Ms. Deborah Costa

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