Projeto de lei propõe alterações no ensino a distância

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O Plenário do Senado aprovou, na última semana, em primeira votação, projeto de lei que obriga os alunos de cursos a distância a realizarem avaliações presenciais. A medida ainda será avaliada em votação suplementar para, depois, seguir para análise da Câmara dos Deputados. O caminho para se tornar lei ainda é longo, mas a medida já gera questionamentos sobre essa modalidade de ensino e pode provocar algumas alterações, embora poucas, na avaliação de representantes do segmento.

Eles acreditam que, com a aprovação da medida, pode haver uma mudança na imagem dos cursos de EAD (Ensino a Distância). Apenas isso. “O projeto de lei altera pouco o que já acontece na graduação a distância”, afirma o fundador da Associação dos Estudantes de EAD, Ricardo Holz. Ele explica que, hoje, os cursos a distância já obrigam seus alunos a frequentarem algumas aulas in loco, bem como determinam a realização presencial de provas e outras atividades.

“No Brasil, ainda temos uma cultura presencial e entendemos que o estudante brasileiro já vai até a instituição, até para uma maior interação com outros alunos e com professores”, acredita Holz. “Ainda não temos uma cultura de fazer avaliações via internet”, completa o diretor de Educação a Distância do Sistema COC, Jeferson Fagundes. De acordo com ele, na maioria das instituições que oferecem cursos a distância, as avaliações presenciais têm peso maior na avaliação geral, de cerca de 60%.

Além do fator cultural, também há um fator legal que determina esse comportamento. O decreto que regulamenta o EAD (5.622/05) já obriga os estudantes a fazerem avaliações presenciais, bem como estágios obrigatórios, quando previstos, além da defesa de trabalhos de conclusão de curso e atividades relacionadas a laboratórios de ensino.

“Caso aprovada sem nenhum alteração, a proposta deixará mais claro o que já é praticado no segmento educacional que atua na modalidade a distância”, completa o diretor-adjunto do Centro de Educação a Distância da Universidade Anhanguera, Luciano Sathler. “O projeto apenas solidifica o que já vigora. Em termos práticos, não muda nada”, diz Sathler, que também é representante da Associação Brasileira de Educação a Distância.

Por que o projeto prevê o que já existe?

A proposta em tramitação no Congresso Nacional pretende apenas assegurar que o que está previsto no Decreto de fato se cumpra. A ideia é tornar o Decreto parte da lei de diretrizes e bases para a educação. Para Sathler, mesmo tendo apenas esse intuito, a medida ajudará a fortalecer a imagem dos cursos a distância. E também poderá trazer impactos na demanda e oferta dos cursos. “Tanto a regulação como a legislação podem ampliar a possibilidade de oferta”, acredita. Para ele, tal ampliação também decorre das mudanças sociais. “As novas gerações vão exigir uma outra escola. Termos uma geração de alunos que têm capacidade de utilizar essas tecnologias”, completa o professor.

Holz, da Associação dos Estudantes, não vê aspectos positivos nesse tipo de iniciativa. “Esse projeto de lei não vai alterar a realidade, porque a sociedade não tem acesso a esse tipo de conteúdo”, avalia ele, que vai mais longe: “Portarias e leis são reflexos do pensamento da sociedade. São provas da discriminação com os alunos de EAD”, afirma. Para ele, o fato de existir um projeto obrigando a realização de atividades presenciais dá a impressão de que não existiam regras para tanto antes da medida.

O professor Fagundes não vê a existência do projeto dessa forma. “Altera a imagem do EAD para melhor”, afirma. “As mudanças não vão influenciar a metodologia do curso a distância, que é baseada em repasse de conhecimento”, explica. O diretor de Educação a Distância do Sistema COC reforça que em muitos cursos não são necessárias atividades presenciais.

EAD necessita de mudanças

Com ou sem lei, o sistema de EAD no Brasil precisa passar por diversas alterações, na avaliação dos especialistas consultados. “Temos problemas sim, como todo o sistema de ensino”, reforça Holz, da Associação dos Estudantes de EAD.

Para a estudante de ensino a distância Danielle Bambace, de 23 anos, a plataforma utilizada pela instituição que oferece o curso a distância que ela faz é o principal problema. “As plataformas poderiam ser melhoradas, pois parecem que elas não acompanham as inovações da internet”, afirma.

Danielle faz um curso de pós-graduação em Educação Ambiental no Senac-Rio e confessa que de início não confiava nessa modalidade de ensino. “A minha mãe precisou fazer um curso a distância e me indicou. Como eu não podia ficar mais tempo parada e não tinha tempo para fazer um curso presencial, arrisquei”, conta. “Estou gostando e aprendendo e me sinto mais estimulada do que ficaria se o curso fosse presencial”.

Danielle arriscou, mas nem todo mundo faz isso. “Ainda existe uma cultura de que o EAD não funciona”, explica Holz. “Esse preconceito existe, mas está diminuindo e a tendência é de ser cada vez menor”, lembra Sathler. “O EAD passa pelos mesmos desafios que a educação presencial”, ressalta. E Holz lista uma série deles, como a melhora do relacionamento entre as instituições e os estudantes. “Temos muita reclamação sobre a demora do retorno que as universidades dão às demandas dos alunos”, diz.

Mas Holz também lista os pontos positivos do sistema, como a flexibilidade que essa modalidade de ensino concede aos estudantes e mensalidades mais baixas. “Alguns cursos chegam a ser 50% mais baratos que o mesmo curso presencial na mesma instituição”, reforça.

Em prol de um Plano Nacional

Para permitir todas as mudanças que o EAD necessita, os especialistas ouvidos defendem um Plano Nacional de Ensino a Distância. “A legislação hoje é falha e isso gera uma insegurança jurídica muito grande”, afirma Holz. “Tem de haver uma matriz curricular quase que unificada, com regras que devem ser seguidas por todos, tanto instituições particulares, como públicas”, acrescenta Fagundes.

O professor defende uma reforma universitária que contemple todas as modalidades de ensino. “Dessa forma, podemos garantir uma qualidade maior do ensino”, afirma Fagundes.

Fonte: ECONOMIA UOL
Por: Instituto EADVIRTUAL   @   14-07-2010     |     3.823 visitas     8 Comentários
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8 Comentários

Comentários
15-07-2010
19:30
#1 Antonio Aury Identicon Icon Antonio Aury :

As IES deveriam, por sua importância e representatividade no processo educacional brasileiro, ser o segmento inicial de incentivo a EAD. Isso seria determinante para a aceitação definitiva, no Brasil, de uma inovação tecnológica já presente na educação de muitos países, principalmente os mais ricos.

18-07-2010
10:27
#2 edmilson da costa penna Identicon Icon edmilson da costa penna :

graduação em filosofia a distância

09-03-2011
15:57
#3 joao paulo Identicon Icon joao paulo :

Quero nformações sobre o mestrado a distancia em educação. Qualquer coisa me avise

06-08-2011
15:05
#4 Gisele Morilha Alves Identicon Icon Gisele Morilha Alves :

Penso que é uma incoerência as avaliações serem presenciais em um curso na modalidade a distância. Isso não garante a qualidade. Tanto em curso presencial como em curso a distância alguns fatores é que podem garantir a qualidade da aprendizagem: comprometimento do aluno assumindo um perfil proativo, pesquisador, interativo, criativo; o comprometimento da equipe: professor EAD, tutores presenciais e a distância; material pedagógico entre outros.

12-08-2011
11:51
#5 Ana Emilia da Silva Oliveira Identicon Icon Ana Emilia da Silva Oliveira :

Trata-se de uma modalidade de ensino crescente, adaptando-se aos novos moldes que a sociedade está vivendo.
Porém concordo que mudanças devem haver, porque sempre é possível melhorar.

18-08-2011
23:39

O mundo é evolutivo e a EaD também precisa evoluir, porém exigir que essa avaliação seja presencial será, que não inibirá aquele aluno que estuda na “cara e na coragem”, que está longe da sala de aula, que não tem escola perto, porém possui uma enorme vontade de estudar e sabe que com a educação poderá crescer na vida não será, novamente, deixado de lado pelo governo? As vezes o tiro sai pela culatra.

08-09-2011
14:55
#7 Rosilda Souza da Rocha Identicon Icon Rosilda Souza da Rocha :

O aluno das universidade que aplicam a educação EAD possuem uma responsabilidade maior pois provocam estudos em pesquisas , eos alunos passaram a terem maior desempenho
A EAD transmite ao educando que dependerá dele o aprendizado fazendo-o um estudante contínuo.
Fiz dois curso9s a distancia eo desenvolvimento foi maior que o presencial

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