Um tutor para chamar de seu

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O crescimento da educação a distância trouxe à tona a discussão sobre o papel exercido pelos tutores, que acabam tão responsáveis pelo desempenho dos alunos no curso quanto pelo bom relacionamento deles com a instituição

Por Patrícia Pereira

Nos cursos de educação a distância, os tutores são peça-chave. Suas atividades, presenciais ou em ambientes virtuais, interligam os alunos às ferramentas colocadas à disposição pela instituição. Apesar disso, vivem um dilema: não sabem ao certo quais papéis devem desempenhar. Isso porque há vários modelos de cursos em EAD e, portanto, diversos sistemas de tutoria. A construção da identidade da tutoria foi tema de seminário promovido pela Associação Nacional dos Tutores da Educação a Distância (Anated), no início de outubro, no Rio de Janeiro.

Como na EAD há professores responsáveis pelo conteúdo das disciplinas e pela parte pedagógica, o tutor existe para exercer uma nova função: ser o facilitador do ensino – função essa que dá margem a diversas tarefas. Não há um padrão e cada instituição busca o modelo mais adequado a sua proposta pedagógica e até mesmo conforme o curso ofertado.

De acordo com Rita Maria Tarcia, professora da Unifesp e diretora da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), é possível identificar quatro modelos de tutoria. O primeiro é chamado de Semipresencial I, no qual o tutor exerce atividades a distância, por meio de fóruns e chats, além de atendimento presencial. O segundo é o Semipresencial II, também com atividades a distância, mas com atendimento presencial referente à tecnologia. O terceiro é chamado de bimodal, o qual mescla a tutoria a distância com encontros presenciais obrigatórios. O quarto seria a tutoria exclusivamente vir­tual. Para Rita, não há uma modalidade que possa ser eleita como a melhor. “O que deve haver é coerência pedagógica e um sistema que suporte o processo de acordo com o projeto de educação da instituição e do curso”, recomendou.

Estabelecer a identidade e responsabilidades do tutor foi a principal dificuldade apontada por Daniel Freitas, tutor do Consórcio Cederj no polo de Rio das Flores. “Como atendemos diretamente os alunos, eles acham que tudo é com a gente. Se a profissão fosse regulamentada, teríamos funções mais definidas”, disse Freitas.

Competências As inúmeras funções desempenhadas pelos tutores de EAD foram identificadas pela pesquisadora Lucíola Lima Pequeno, da Universidade de Fortaleza (Unifor). A partir do trabalho intitulado A importância do tutor na Educação a Distância, Lucíola percebeu que apesar de as atribuições do tutor não estarem muito bem definidas, há uma série de funções frequentemente identificadas como sendo do tutor. Entre essas atribuições, a pesquisa relaciona: mediação, facilitação, orientação, além de atividades que o consideram como um professor on-line.

Segundo Luis Gomes, presidente da Anated, os diversos papéis que os tutores desempenham nos cursos de EAD se apoiam em competências de três áreas: pedagógica, tecnológica e de gestão. Pedagógica por sanarem as dúvidas dos alunos relativas ao conteúdo das aulas; tecnológica por precisarem conhecer o funcionamento das plataformas de EAD; e de gestão porque  demandas administrativas chegam ao tutor.

A conclusão é fruto do trabalho da  Anated junto a tutores de todo o Brasil. “A associação busca mapear as funções daqueles que estão à frente do processo, a fim de reunir todas as experiências do país, incluindo os diferentes conceitos que se tem de EAD, e agrupar quais são as competências do tutor”, informou Gomes.

Um problema ocasionado pela falta de regulamentação é a baixa formação de profissionais para a atividade. Como no mercado de trabalho não há quantidade suficiente de tutores para contratação, são as próprias instituições que têm capacitado seus professores para atuarem como tutores.

É o caso da Universidade Estácio de Sá, que possui mais de 40 mil alunos nos cursos de EAD. De acordo com Paula Caleffi, reitora da Estácio, a capacitação é importante porque é preciso que os professores compreendam as diferentes plataformas de EAD. “Não basta o professor achar que vai reproduzir a sua metodologia presencial na modalidade de EAD”, destacou a reitora.

Luis Gomes revelou que a Anated trabalha para criar uma certificação em tutoria para balizar essa formação. “Hoje cada instituição capacita de acordo com suas necessidades, que às vezes é muito específica para determinado curso”, observou Gomes.

As características para o sucesso da tutoria on-line foram reunidas no trabalho O tutor no ambiente virtual de aprendizagem: competências e processos de desenvolvimento, apresentado por Marta Fernandes Garcia, tutora da Unesp e pesquisadora da Universidade de Campinas (Unicamp). Segundo ela, os tutores devem conhecer as ferramentas de ensino e serem capazes de ajudar os alunos a usá-las. Outra competência importante é a capacidade de estabelecer um bom relacionamento com os alunos que os motive a participar ativamente das atividades e permanecer no curso.

Fonte: Revista Ensino Superior

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Por: Instituto EADVIRTUAL   @   13-12-2011     |     1.842 visitas     5 Comentários
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5 Comentários

Comentários
14-12-2011
15:53
#1 Claudia Lima Identicon Icon Claudia Lima :

Tenho buscado informações sobre a questão da tutoria e gostei muito do artigo publicado. Se não bastasse o abuso que tem sofrido os tutores com relação à excesso de alunos para atender e salários baixíssimos; desvalorização da classe docente, sendo ela substituída muitas vezes por tutores com formações inadequadas para a função; ainda é possível ver outras barbariedades no ensino à distância. Tenho muitas dúvidas sobre a questão do tutor substituir integralmente o papel do professor no EaD. Estava cursando uma especialização à distância em instituição idônea e autorizada pelo MEC mas fui obrigada a desistir do curso por não aceitar a idéia de fazer uma “especialização” que continha 12 módulos sendo aplicado integralmente por apenas 1 tutor. Os tais “professores colaboradores” do curso são meros autores de artigos de 6 ou 10 páginas de 1 único artigo por módulo e são inascessíveis ao longo do curso. Como alguém pode se considerar um especialista com uma formação destas? Fui ao MEC pedir orientações acerca da legislação e eles afirmam que cada instituição tem autonomia para fazer o que bem entender, desde que esteja expresso no tal projeto pedagógico da insituição. Uma vergonha! Alguém já leu os “Referenciais de Qualidade para a Ead do MEC”? Por que aquele documento não serve de base legal para que todos sigam tais parâmetros de qualidade no ensino? O próprio MEC, na página de introdução já afirma não servir para este fim. Abraços.

14-12-2011
19:22

“Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé”.

Em um país de dimensões continentais como o nosso, um dos desafios da educação superior sempre foi vencer a barreira geográfica das grandes distâncias.

No passado, não muito distante, a educação em nível superior era segregada somente a uma população que habitava os grandes centros, onde se localizavam, de forma esparsa, as casas de ensino; agrilhoando assim, o desenvolvimento acadêmico a uma classe privilegiada, isto em detrimento da avassaladora maioria desprestigiada.

A Educação a Distância, em sua modalidade de 3ª geração, com o uso das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTICs), possibilita aos alunos geograficamente distantes, a inclusão educacional ao conhecimento e “com serviços de qualidade”.

Esta disponibilização quanto ao acesso à interlocução entre aluno, professor e material didático, em casa, no trabalho, e em qualquer lugar, torna a modalidade da EAD como a verdadeira expressão de “democratização do ensino”.

14-12-2011
21:13
#3 José Raimundo de Jesus Identicon Icon José Raimundo de Jesus :

Estou em fase de conclusão do curso de pós graduação em Educação Especial e Inclusiva pela FACINTER (UNINTER)a distancia e gosto muito, acho o curso perfeito, pretendo fazer outros cursos. O impostante é erscolher uma instituição séria e comprometida. Abraço

15-12-2011
11:31
#4 maia aparecida Identicon Icon maia aparecida :

fiz curso superior a distância e presencial ,tenho experiências nas duas , não vejo diferença quando o aluno quer aprender não existe barreiras ,pois le vai atrás e consegue o que quer.querER é poder.quando o aluno não quer nada com vida inventa mil disculpa e joga culpa no sistema .é só escolher uma faculdade reconhecida pelo MEC E MÃO A OBRA!

15-12-2011
14:20
#5 Michele Identicon Icon Michele :

Estou terminando minha segunda graduação na modalidade do EAD e trabalho atualmente como coordenadora do EAD, percebi que os professores ainda não estão preparados para a modalidade.Tem muitos professores que acreditam que ser tutor é simplismente atender os alunos, ao contrario é mediar, mostrar ao aluno o caminho melhor para encontrar a saída.
Por isso que acredito que precisamos sim valorizar os tutores, mas também dar ferramentas, capacitações, só assim o tutor será valorizado e reconhecido pela sociedade.

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